Ataques de pânico são episódios abruptos e inesperados de ansiedade. Eles podem desencadeados por uma situação específica (por exemplo, estar num local fechado) ou ocorrer espontaneamente (por exemplo, sentando vendo TV ou mesmo dormindo à noite).

 

Os ataques de pânico se caracterizam pela presença de muitos sintomas físicos, tais como sensação de falta de ar (ou que "o ar não dá a volta"), taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos), mãos e pés frios, sensação de desmaio ou mesmo de morte iminente.

 

Ataques isolados de pânico possam ocorrer em diversos transtornos de ansiedade. Um indivíduo que tem Transtorno Obsessivo-Compulsivo (veja no site), por exemplo, pode ter um ataque de pânico quando se vê forçado a fazer algo que considerada um grande risco de contaminação. Um indivíduo com Transtorno de Ansiedade Social (veja no site) pode ter um ataque de pânico quando forçado a se apresentar frente a uma plateia.

 

Mas quando os ataques são repetitivos e, principalmente quando eles são espontâneos, o diagnóstico é de Transtorno do Pânico. O mesmo acontece com várias doenças em medicina. Por exemplo, podemos dizer que um indivíduo tem sintomas de Parkinson (o termo correto é parkinsonismo) mesmo que ele tenha outra doença neurológica que não seja a Doença de Parkinson.

 

Quando existe Transtorno do Pânico, há uma chance aumentada de o indivíduo apresentar Agorafobia, que é o medo intenso de estar em locais de onde não se possa sair rapidamente ou receber ajuda se necessário. Em geral são locais fechados, como metrô, túneis longos e elevadores. Muitos indivíduos não conseguem viajar de avião.

 

O Transtorno do Pânico é mais comum em mulheres e tem forte influência genética. Os familiares de primeiro grau tem muito mais Transtorno do Pânico do que o esperado matematicamente e os estudos de gêmeos mostram que os monozigóticos (que são geneticamente idênticos) tem maior concordância (isto é, quando um tem o outro também tem) do que os dizigóticos, que não são geneticamente idênticos, embora tenham a mesma família, a mesma alimentação, o mesmo ambiente, etc. Atualmente entende-se o Transtorno do Pânico como um modelo estresse-diátese. Diátese significa vulnerabilidade e, neste caso, principalmente hereditariedade. Eventos traumáticos (o estresse) então poderiam "desencadear" o transtorno nos indivíduos vulneráveis. Por isso, não se diz que os eventos "causam", mas sim "desencadeiam" o Transtorno do Pânico.

 

O Transtorno do Pânico tende a se iniciar por volta dos 20 anos e cerca de um terço dos pacientes irá apresentar um episódio de depressão em algum momento da vida. Na maioria dos casos, o Transtorno do Pânico é recorrente ou crônico. Nos casos recorrentes, o indivíduo apresenta um período crítico com muitos sintomas e depois algum tempo sem qualquer sintomatologia (podem ser meses ou anos) ele volta a apresentar os mesmos sintomas. Nos casos crônicos, quando o tratamento é interrompido, o indivíduo volta a apresentar os sintomas e necessitar retomar a terapêutica.

 

Alguns indivíduos podem demorar até um ano para ter remissão (desaparecimento) dos sintomas, embora a maioria dos casos tenha melhora significativa poucos meses após o tratamento medicamentoso que pode ser associado a psicoterapia.