A ansiedade aparece em graus variáveis em quase todos nós, uns indivíduos apresentam níveis maiores e outros menores; é muito raro que alguém não apresente alguma ansiedade (na verdade, existem indivíduos com alterações genéticas raras que nunca apresentam ansiedade).

A ansiedade também é dependente do contexto de vida do indivíduo. Níveis mais altos de ansiedade se associem a piores indicadores de qualidade de vida .

 

O que chamamos de Transtorno de Ansiedade Generalizada ou TAG é o quadro de níveis elevados de ansiedade ocorrendo a maior parte do dia na maioria dos dias. Mesmo que no TAG a ansiedade seja crônica, ela oscila ao longo dos dias e das semanas, quase nunca está sempre no mesmo nível. A cada 20 pessoas, 1 ou 2 apresentam TAG, sendo que ele é duas vezes mais comum em mulheres do que em homens. Os estudos sobre a participação genética no surgimento do transtorno são considerados inconsistentes.

 

O TAG só ocorre isoladamente (isto é, sozinho) em cerca de 40% dos casos: geralmente vem acompanhado de outro transtorno, sendo o mais comum deles a depressão.

 

Pacientes com TAG com frequência ficam "procurando" pistas de coisas potencialmente ameaçadoras e tendem a interpretar informações ambíguas de modo enviesado, tendendo a considerar sempre o seu lado negativo. São indivíduos que frente a uma determinada possibilidade, por exemplo uma viagem, mais rapidamente e intensamente pensam no que "pode dar errado" e não nos prazeres que a viagem pode proporcionar. Eles pensam quase que imediatamente nos problemas que podem surgir, mesmo aqueles que parecem pouco prováveis para a maioria das pessoas.

 

Em geral, indivíduos muito ansiosos têm pouca tolerância para cenários incertos ou ambíguos e tendem a se preocupar exageradamente com qualquer situação onde não seja possível exercer um controle maior. Viajar sem ter tudo planejando e organizado nos mínimos detalhes, nem pensar.

 

Quando necessitam resolver um problema, isto é geralmente feito às custas de muita ansiedade e dispêndio de energia mental. Muitos pacientes se queixam de sintomas físicos, isto é, o TAG não se resume às preocupações: cefaleia, tensão e dores musculares (principalmente pescoço, ombros e parte baixa da coluna), além de uma sensação persistente de fadiga. Esta última com frequência leva à procura de médicos para "descobrir" se existe alguma doença física. E, curiosamente, não existe nenhuma evidência de que preocupações sejam benéficas para se promover comportamentos saudáveis.

 

Além de piores indicadores de qualidade de vida, o TAG tem consequências importantes no organismo: pacientes tem mais hipertensão arterial e uma taxa aumentada de doença coronariana (fatal e não fatal).

 

O TAG tende a ser crônico, com pioras e melhoras ao longo do tempo. O tratamento envolve uma combinação de técnicas cognitivo-comportamentais e determinados medicamentos, geralmente antidepressivos (mesmo que o indivíduo não tenha depressão)