O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade-Impulsividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, que se inicia na infância e pode persistir na vida adulta em mais da metade dos casos. Em estudos epidemiológicos, observa-se que ele ocorre em cerca de uma a cada 20 crianças.

 

O TDAH é caracterizado por níveis de desatenção, hiperatividade e impulsividade mais elevados do que aqueles encontrados na população geral. O diagnóstico de TDAH, portanto, depende do número de sintomas; não se trata de "ter" ou "não ter". O mesmo acontece com o diabete e a hipertensão arterial: todo mundo tem açúcar no sangue e pressão arterial, mas algumas pessoas tem um "excesso" e por conta disso recebem aqueles diagnósticos.

 

O diagnóstico de TDAH é feito de forma clínica, com base em entrevista extensa e detalhada que deve ser realizada por profissional treinado. Embora possa parecer fácil, à primeira vista, fazer o diagnóstico com base nos 18 sintomas que compõem o transtorno, este é provavelmente um dos diagnósticos mais difíceis, que exigem grande experiência. É bastante comum alguém se autodiagnosticar com TDAH e, quando avaliado por um especialista, receber outro diagnóstico. O motivo é simples: desatenção é um sintoma comum a vários transtornos diferentes, podendo mesmo ocorrer em indivíduos normais. Para tornar o diagnóstico ainda mais difícil, em cerca de 2/3 dos casos, o TDAH pode coexistir com outros problemas.

 

O TDAH pode se associar a desfechos negativos em diferentes áreas. No caso de crianças e adolescentes, as principais queixas costumam ser de mau desempenho acadêmico ou de comportamento, principalmente no ambiente escolar onde a criança tem que seguir regras e prestar atenção por tempo prolongado, muitas vezes em atividades menos prazerosas. A criança ou o adolescente com TDAH também frequentemente apresenta dificuldades de relacionamento social com seus colegas. Adolescentes com TDAH têm maiores taxas de gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis.

 

Em relação aos adultos, ele apresentam tendência a ter menos anos de estudo completados, maiores taxas de acidentes em geral, maiores taxas de desemprego e divórcio, uso mais frequente de drogas ilícitas, além de maior incidência de depressão e ansiedade.

 

Os dois maiores estudos de neuroimagem envolvendo crianças, adolescentes e adultos com TDAH publicados até o momento envolveram a participação de vários grupos de pesquisa em diferentes países (incluindo o nosso) e demonstraram que existem alterações em estruturas cerebrais muito específicas, pondo fim à argumentação de que o TDAH seria um “transtorno inventado”.

 

O tratamento pode envolver o uso de fármacos (como os estimulantes) e também psicoterapia (sendo a cognitivo-comportamental a mais estudada).