O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) se caracteriza por 2 características principais, como o nome sugere: obsessões e compulsões. A maioria dos pacientes apresenta tanto obsessões quanto compulsões, mais do que um ou outro sintoma isoladamente.

Obsessões podem ser pensamentos recorrentes, imagens mentais ou sensação de urgência irresistível para fazer certas coisas. As obsessões são quase que invariavelmente perturbadoras e causadoras de ansiedade. As obsessões mais comuns são aquelas que envolvem ideias de contaminação, mas podem ser imagens mentais de cenas horríveis ou a sensação de urgência de fazer algo terrível (como pegar uma faca e esfaquear alguém).

 

As compulsões são os comportamentos repetitivos realizados com o objetivo de diminuir a ansiedade causada pelas obsessões ou então pela convicção de que algo precisa ser feito (ou estar) de determinado modo, seguindo determinadas "regras". Embora as compulsões possam temporariamente diminuir a ansiedade gerada pelas obsessões, elas não são feitas por prazer; ao contrário, são fonte de sofrimento para o indivíduo que "não consegue se livrar delas".

 

Compulsões são geralmente comportamentos ritualísticos, repetidos inúmeras vezes, como lavar as mãos ou checar se o gás está fechado ou a porta trancada. Muitos pacientes "precisam" repetir os rituais um número específico de vezes e, quando têm dúvidas se fizeram corretamente, precisam recomeçar desde o início. Também existem compulsões mentais, como fazer contas mentais com os números de placas de carro, soletrar palavras "perigosas" de trás para a frente (por exemplo, morte, câncer, etc.) dentre outras.

 

O que diferencia as obsessões e compulsões dos pensamentos e comportamentos normais que qualquer indivíduo possa ter em relação à sujeira, organização, etc. é a intensidade de energia que eles consomem do indivíduo. Um paciente com TOC pode passar horas do seu dia em comportamentos de lavagem que um indivíduo normal, mesmo sendo alguém que dá importância à limpeza, jamais faria. E muitas das compulsões exigem que o indivíduo abra mão de outras atividades importantes para se dedicar aos rituais compulsivos. O TOC afeta os relacionamentos familiares e sociais, além de comprometer o desempenho acadêmico e profissional por conta da necessidade de "checagens" repetidas e sensação de "incompletude" ou de "nunca estar perfeito como deveria".

 

Existem quatro grandes grupos de sintomas, que podem coexistir entre si:

  1. Ligados à limpeza - associados a rituais de limpeza e medos persistentes de contaminação

  2. Ligados à simetria - associados à necessidade de ter (ou fazer) coisas de modo simétrico, de repetir (uma palavra, frase ou parte de reza), de calcular ou contar

  3. Ligados a pensamentos tabu ou "proibidos"- associados a pensamentos obsessivos envolvendo agressão, sexo ou religião e as compulsões associadas a eles (com o objetivo de "neutralizá-las")

  4. Ligados a danos - associados a pensamentos obsessivos envolvendo fazer mal a si próprio ou a outros e compulsões de checagem.

 

Existe uma contribuição genética no TOC, mas especialmente nos quadros infantis. Mais raramente, o TOC pode surgir após uma lesão neurológica (acidente vascular cerebral, traumatismo craniano) ou infecção de orofaringe em crianças, mas este último caso tem sido alvo de debates). Alguns medicamentos para tratamento para Parkinson também pode levar a sintomas de TOC. A maioria dos pacientes, entretanto, não apresenta uma "causa" específica para o transtorno.

 

Quanto ao tratamento farmacológico, apenas algumas classes de antidepressivos demonstraram ser eficazes no controle dos sintomas. Existem também estratégias de potencialização dos antidepressivos com medicamentos específicos.